quarta-feira, 23 de março de 2011

Dramática. Depressiva. Falsa.


O brilho nos olhos, sorriso nos lábios, a forma como finjo achar o céu uma beleza estonteante, e de certa forma até acho mesmo, mas já digo que é disfarce.Mentir sobre o perfume das flores, que não é mais o mesmo desde que não se mistura com o seu. Dizer pra mim, e pro mundo, que no fundo, tu partiste e eu fiquei bem. Que doeu que feriu que furou e que arrancou de mim parte insubstituível, mas já cicatrizou. Quanta mentira.
Ser boa filha, boa moça, boa amiga, boa aluna. Cultuar bons livros, assistir a bons filmes. Perda de tempo.
Desesperadamente, tentando reconstituir o que por hora tu jogaste sobre o chão, o que por comodidade disse não ser merecedor.
Ainda penso, ainda choro, ainda minto e com uma frequência cada vez maior.
Que não vais voltar eu bem sei, assim como nunca teve a intenção de por tempo longo ficar.
Quem me vê passar, de mãos dadas ou não, sorrindo ou cantando, fingindo uma paz, mal sabe que aqui dentro existe tudo, menos amor, menos felicidade, menos paz.
Sou dona do meu destino, faço, refaço, desfaço e se assim estou, é porque escolhi que assim fosse.
Por dias, preciso me inundar em lágrimas, calada, discreta, carente.
Por meses, preciso de algo, ou alguém, que me volte a tomar o ar, que me pese o estômago antes de dormir, que me cuspa na cara toda dó.
Mas existem horas, em que tudo é diferente, e assim como me sinto suja, te lembro mais sujo ainda e desisto.
E é disso que eu tiro forças, da sua sujeira, das suas entranhas sórdidas, suas palavras vis e seu jeito tão cara de pau de dizer: “ fica aqui pra sempre? “ e segundos depois me apunhalar e arrancar de mim, todo brilho, toda esperança.
Apesar de compactuar por muito tempo com seus trejeitos, e admirar sua respiração enquanto dormia, hoje tenho absoluta certeza de que tu não me inspiraste amor algum.

-L.

Nenhum comentário:

Postar um comentário