terça-feira, 10 de maio de 2011



"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só, do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio. Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa? Odeio pessoas que dizem mas-todo-mundo-sempre-se-apaixona-por-mim."

Caio F.

segunda-feira, 9 de maio de 2011



"Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem sempre que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa."
Caio Fernando Abreu

- Do livro Caio 3D, o essencial da década de 70 . Conto : Carta para além do muro.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Dramática. Depressiva. Falsa.


O brilho nos olhos, sorriso nos lábios, a forma como finjo achar o céu uma beleza estonteante, e de certa forma até acho mesmo, mas já digo que é disfarce.Mentir sobre o perfume das flores, que não é mais o mesmo desde que não se mistura com o seu. Dizer pra mim, e pro mundo, que no fundo, tu partiste e eu fiquei bem. Que doeu que feriu que furou e que arrancou de mim parte insubstituível, mas já cicatrizou. Quanta mentira.
Ser boa filha, boa moça, boa amiga, boa aluna. Cultuar bons livros, assistir a bons filmes. Perda de tempo.
Desesperadamente, tentando reconstituir o que por hora tu jogaste sobre o chão, o que por comodidade disse não ser merecedor.
Ainda penso, ainda choro, ainda minto e com uma frequência cada vez maior.
Que não vais voltar eu bem sei, assim como nunca teve a intenção de por tempo longo ficar.
Quem me vê passar, de mãos dadas ou não, sorrindo ou cantando, fingindo uma paz, mal sabe que aqui dentro existe tudo, menos amor, menos felicidade, menos paz.
Sou dona do meu destino, faço, refaço, desfaço e se assim estou, é porque escolhi que assim fosse.
Por dias, preciso me inundar em lágrimas, calada, discreta, carente.
Por meses, preciso de algo, ou alguém, que me volte a tomar o ar, que me pese o estômago antes de dormir, que me cuspa na cara toda dó.
Mas existem horas, em que tudo é diferente, e assim como me sinto suja, te lembro mais sujo ainda e desisto.
E é disso que eu tiro forças, da sua sujeira, das suas entranhas sórdidas, suas palavras vis e seu jeito tão cara de pau de dizer: “ fica aqui pra sempre? “ e segundos depois me apunhalar e arrancar de mim, todo brilho, toda esperança.
Apesar de compactuar por muito tempo com seus trejeitos, e admirar sua respiração enquanto dormia, hoje tenho absoluta certeza de que tu não me inspiraste amor algum.

-L.

sábado, 22 de janeiro de 2011



Me disseram que quando alguém morre, aquilo que habitava aquele corpo já não está mais ali, que a carne agora é só carne, sem essência, sem alma. Então me dei conta que agora sou um corpo, só carne. Cadê a minha a alma? Onde é que eu estou? E pra onde é que a sua alma foi? Se já morremos um pro outro há tanto tempo...


-L.